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alta resolução

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sem contadores, sem vaidade

conecte-se com seus amigos

sem barulho

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menos influencers, mais você

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Manifesto

Eu não sei seu nome, sua idade, onde você mora, nem sua nacionalidade, ou seja, eu não te conheço. No entanto, sei que durante inúmeros dias da sua vida, você passou horas e horas no seu telefone, assistindo a vídeos e mais vídeos. Sei também que isso se intensificou após a pandemia. Você entrou num ciclo vicioso: em algum momento do seu dia, você interrompe o que estava fazendo, pega seu celular e começa. Na maioria das vezes, nem se dá conta de quanto tempo passou, nem mesmo se lembra dos vídeos que consumiu. Sei que ao menos uma vez durante esse ciclo, você estava assistindo a algum vídeo, lembrou de alguma tarefa que precisava concluir, mas se esqueceu completamente do que estava pensando, então você subiu alguns posts no seu feed e sua memória acabou voltando.

"O que tanto você mexe nesse celular, hein?". Se você nasceu antes de 2002, sei que você já ouviu essa frase dos seus pais ou de seus avós. Numa época em que essa "tecnologia" ainda não estava integralmente inserida no nosso cotidiano, as gerações mais velhas de nossas famílias simplesmente não conseguiam entender o porquê de passarmos horas e horas com os olhos vidrados em telas. Era e sempre foi normal interagir com as pessoas que estão próximas a nós, e pasme, até mesmo com as desconhecidas. Hoje, os flagramos repetindo nossos atos. Mas o que aconteceu?

Eu te conto: cento e quinze bilhões, setecentos e cinquenta milhões de dólares. Apenas em 2025, esse foi o gasto estimado em anúncios em vídeos curtos, um mercado extremamente aquecido e lucrativo. Ao contarmos os dois bilhões de usuários que consomem duzentos bilhões de Reels por dia apenas do Instagram, entendemos o motivo de cifras tão altas. No entanto, tenho uma pergunta para te fazer: quantos Reels você já postou? Grandes são as chances de que sua resposta seja zero. Onde estão suas fotos? Afinal de contas, essa era uma plataforma cujo intuito era o compartilhamento de fotos com seus círculos próximos de amizade. Você ainda consegue achar e interagir com algum de seus amigos após a avalanche de vídeos causada pelo contra-ataque do Instagram em resposta ao seu maior rival, o TikTok? Ou você praticamente continua situado no canal dos comerciais infinitos, onde sua atenção e a saúde de seu cérebro são vendidas a preço de banana?

Diminuição da massa cinzenta cerebral, supressão do córtex pré-frontal, piora na tomada de decisões, picos de dopamina... essas são apenas algumas das consequências que estudos vêm demonstrando em decorrência do consumo frequente de vídeos curtos. Mas sejamos sinceros, realmente precisamos desses dados para evidenciar o que estamos sentindo na pele? Ou melhor, no cérebro? Aquela neblina mental que parece tomar conta de nós após passar algumas horas doomscrolling.

Agora, me deixe assumir o papel de seu avô e te perguntar: "O que tanto você mexe nesse celular, hein?". Sei que você não tem uma resposta concreta, pois eu também não tinha, e infelizmente, isso é normal. Sucumbimos diante das gigantes da tecnologia e nem percebemos. Viramos um produto cuja principal função é desperdiçar grande parte de nossas vidas em função da necessidade do aumento do lucro dessas empresas. Não pense que esse efeito é por acaso: essas corporações possuem especialistas cujo trabalho principal é "como fazer um idiota gastar cada vez mais tempo na minha plataforma para que eu possa aumentar o lucro de meus acionistas?". Existem engenheiros e analistas de dados que passam dia e noite desenvolvendo algoritmos e funcionalidades que possam te viciar ainda mais, é realmente um laboratório inédito na história da humanidade, que agora foi potencializado pela inteligência artificial.

Entre nas configurações de seu smartphone e veja seu tempo de uso. Três, seis, ou oito horas por dia? Respectivamente 12,5%; 25% e 33% de sua vida sendo gasta nisso. Se retiramos da equação as suas oito horas dormidas, os números pioram ainda mais: 19%, 38% e 50%. Embora existam exceções criativas e até mesmo úteis, você está gastando metade de sua vida consumindo uma infinidade de vídeos estúpidos que não te agregam em nada, pior ainda, fazem-te mais burro e deixam os chamados "influencers", que criam esse conteúdo esdrúxulo que você não suporta mais, ainda mais ricos.

Faça um desafio a si mesmo e tente não usar o aplicativo. Darei alguns spoilers do que acontecerá: primeiro, em algum ponto dos primeiros três dias de sua promessa, você a quebrará, já que seu cérebro, dominado pelo seu hábito, entrará numa espécie de piloto automático em que todo seu sistema nervoso estará totalmente voltado a encontrar o aplicativo, entrar nele e voltar ao doomscrolling. Você o fará sem nem perceber, graças a anos de condicionamento de sua coordenação motora. É nesse momento que você tomará a atitude de apagar o aplicativo. A primeira semana será intensa, realmente como lutar contra uma abstinência, seu cérebro pedirá inconscientemente pela volta de seu hábito. Caso você seja forte o suficiente, a partir da segunda semana estará mais tranquilo, na terceira começará a colher os frutos, dentre eles: mais atenção, disposição, foco, tranquilidade mental, felicidade, etc.

No entanto, caso você seja como eu e tenha crescido com um smartphone na mão e com redes sociais desde criança, precisará ir um pouco mais além e desativar sua conta na plataforma, garantindo para si mesmo que está disposto a cumprir sua promessa e que não pretende voltar atrás por alguns bons meses. Digo por experiência própria: uma das melhores decisões que já tomei em minha vida, ainda mais para uma pessoa que cresceu nesse mundo sem se dar conta de que foi involuntariamente inserida num imaginário de vaidade social e hiperconectividade.

Meses depois dessa decisão, tive a oportunidade de realizar uma viagem em que passei pelo salão de um cassino e uma cena não só tocou meu coração, mas também deixou minha mente inquieta: dezenas de idosos desperdiçando os últimos anos de sua vida, se comportando como zumbis ao passar horas numa espécie de piloto automático mental, com toda sua coordenação motora investida em pressionar apenas um botão, alimentados por uma falsa esperança de acertar o jackpot numa das dezenas de máquinas de caça-níquel ao seu redor.

Naquele momento, percebi que meu destino poderia ser o mesmo, apenas num cenário diferente.

No meu caso, no entanto, após ficar dois meses sem qualquer acesso ao Instagram, percebi que apesar dos inúmeros pontos negativos citados anteriormente a internet e as redes sociais podem trazer diversos positivos. A conectividade social virtual é algo fascinante, ainda mais quando analisamos nossas relações com amigos de longa data, de outras cidades, estados ou nacionalidades, que não temos a oportunidade de encontrar frequentemente por obstáculos que a vida acaba nos trazendo. As redes sociais dão, ou pelo menos deveriam dar a sensação de estarmos juntos, em contato, a par um do outro, apesar da distância física. Deveriam promover a interação pessoa com pessoa, trazer um ambiente onde apesar de estarmos num mundo online, quase fictício, alimentados por uma esperança de ruptura, a conexão humana seria restabelecida em breve, promovendo afeto, amor, fraternidade e fisicalidade.

Não me entenda errado, a minha guerra não é contra as redes sociais nem sua monetização, afinal, o que seria do mundo moderno sem plataformas de mensagens instantâneas, como o WhatsApp ou o Telegram, por exemplo? Atualmente, essas plataformas são extremamente necessárias e úteis, funcionam quase como vantagens evolutivas tecnológicas sendo extremamente eficientes ao que se propõem: otimizar a comunicação entre pessoas e grupos. Dificilmente promovem práticas de autossabotagem ou de aumento exponencial de uso apenas pelo uso, cujo objetivo é o aumento da lucratividade empresarial, como doomscrolling, já que elas se restringem principalmente ao envio e recebimento de mensagens e ligações, atuando como ferramentas de comunicação. Ou então o que seria da vida do estudante moderno sem o Youtube? Plataforma onde professores incríveis (não só os acadêmicos, mas também aqueles da vida) disponibilizam seu saber simplesmente pelo prazer de compartilhá-lo. A minha guerra é contra a normalização de uma coletânea quase infinita de vídeos estúpidos sendo tratados como lazer ou ferramenta de aprendizado, especialmente no Instagram, TikTok e Youtube Shorts, atrás de uma cortina "para inglês ver" que promove a imbecilização do ser humano e a inutilização de seu tempo.

Além disso, estamos vivendo a banalização de nossas memórias por meio de uma produção em massa de fotos sem sentido algum, "just for the gram", que alimenta uma busca miserável de validação social, estética e curtidas. O Instagram, principal rede social de fotos, se é que ainda podemos dizer isso, não valoriza nem mesmo a qualidade de nossas memórias ao implementar algoritmos de compressão agressiva, que causam uma diminuição brusca na resolução de nossas imagens. Algo absurdo de se pensar, já que a cada ano, temos mais e mais upgrades em nossas câmeras, sejam elas premium, como uma Leica de seis mil dólares ou então as mais populares, como as de nossos iPhones, que ainda são extremamente qualificadas com seus quarenta e oito megapixels. No entanto, esse avanço constante não é refletido em nossas mídias sociais por priorização de redução de custos de armazenamento. Ou seja, em pleno 2026, não temos uma plataforma que possa valorizar nossa vida, nosso tempo, a qualidade de nossas fotos e a interação pessoa com pessoa.

Portanto, te faço um pedido: tire um tempo fora das redes sociais. Volte, para o seu próprio bem, para o estado natural do ser humano. Invejo as gerações anteriores pois elas sabem exatamente do que estou falando. Conecte-se com as pessoas que estão ao seu redor, leia um livro, assista a um bom filme, pratique um esporte, aprenda uma nova língua, saia para jantar com sua família, para dar risada com seus amigos, faça qualquer coisa, mas não gaste seu precioso tempo finito sendo uma cobaia desses grandes laboratórios. Memento mori.

Acredito firmemente que o conhecimento não possui finalidade em si mesmo, seu propósito final deve ser ação. Cabe a nós mesmos termos o vigor de romper com o mundo das ideias e materializar aquilo que acreditamos. Por isso, criei uma plataforma social de compartilhamento de fotos e mensagens, onde serão priorizadas a interação pessoa com pessoa, a qualidade original de suas fotos e sua saúde mental. A ideia do projeto é extinguir métricas de vaidade, suprimir algoritmos que escolhem o que você visualizará e promover o uso pessoal, não de influencers. Portanto, te convido a experimentar o aplicativo. Baixe-o e me dê um feedback. Sua opinião é extremamente importante para construirmos juntos um futuro do qual valha a pena fazer parte.